TEXTOS
OS PECADOS DOS FOTÓGRAFOS
por Jorge Príncipe
ORGULHO
Ser um fotógrafo é em si um motivo de orgulho. Mas há uma grande diferença entre ter orgulho por nossa profissão e por nosso trabalho e ser orgulhoso. O orgulho que trataremos aqui nasce da certeza de que o mundo — e quiçá o Universo! — gira em torno do nosso umbigo! Essa "teoria umbilicocêntrica", nem sempre é uma unanimidade entre os mortais, o que acaba gerando uma infinidade de conflitos e desgostos.
O orgulhoso tende a diminuir ou mesmo desconsiderar os feitos e virtudes de sua equipe. É o "fotógrafo Estrela", que detesta ser questionado tanto por colaboradores quanto por clientes.
Usa e abusa de termos técnicos e poses para demonstrar erudição e acaba escorregando na c-o-m-u-n-i-c-a-ç-ã-o, ainda que o Código de Defesa do Consumidor o obrigue a ser claro ao explicar o tratamento ao cliente. E todo mundo sabe: "Quem não se comunica se trumbica." (Chacrinha)
O orgulhoso é incapaz de detectar e assumir seus erros e, portanto acaba perpetuando-os e quando acontece algum problema a culpa é sempre do outro, ou do azar ou da (Má) Providência Divina. Qualquer coisa serve para não assinar o B.O.! É capaz até de tomar uma decisão desastrosa para a clínica apenas para não ferir seu orgulho.
Nem é preciso dizer que isso gera uma incapacidade de mudar que impede o desenvolvimento pessoal do fotógrafo, de seus colaboradores e por conseqüência de seu estúdio. Crescimento implica ter consciência de nossos pontos fortes e fracos, reforçando os primeiros e corrigindo os segundos, como fazem as empresas de sucesso. Isso se chama humildade profissional, virtude que não faz parte da visão de mundo do orgulhoso que ainda vê nessa virtude uma fraqueza e não um sinal de maturidade e inteligência emocional.
Seu contato com outros fotógrafos é sempre desagradável e tenso, a não ser que o colega se desfaça em elogios e rapapés. Fazer criticas destrutivas é sua especialidade, mas não passa pela sua cabeça escutar "um senão" dirigido à sua pessoa. As conquistas alheias são sempre minimizadas sendo fruto de qualquer outra coisa menos de méritos. O orgulhoso não gosta de "dar mole prá ninguém" e com isso deteriora suas relações interpessoais. É um verdadeiro analfabeto emocional.
Se o fotógrafo quer ser o Master of The Universe, que o seja na intimidade do lar, junto aos amigos, porque o único centro verdadeiro de um estúdio é o cliente. Ele é a razão de ser do negócio. Essa é a visão de toda empresa bem sucedida no mundo todo. O fotógrafo precisa vencer o orgulho e aprender a compartilhar. Só assim irá se desenvolver pessoal e empresarialmente.
AVAREZA
O fotógrafo avarento mais do que gostar de acumular, o que em si não é nenhum pecado, não gosta é de dividir, de gastar. É um sovina.
A palavra retenção tem uma conotação quase mística para ele. Retém dinheiro, conhecimentos, estímulos e tudo o que puder, por puro pavor de que um dia possa faltar-lhe ou de que a generosidade possa de alguma forma se voltar contra ele.
Geralmente paga mal, gasta mal, aplica mal e em geral não costuma assumir riscos por puro pavor de perder. Não entende a relação que existe entre investimento e resultado e só gasta naquilo que tem retorno imediato, assim: para ontem! Itens de custo (na verdade são investimentos) como decoração, uniformes, marketing, treinamento, comodidades dos clientes e colaboradores, benefícios, bônus e prêmios são deixados de lado por conta da visão medrosa e de curto prazo do avarento. Porém, com ou sem investimento não existe progresso a verdade é que o avarento anda para trás. Saber gastar não é igual a não gastar, é igual a gastar com critério.
Não bastasse isso o fotógrafo avarento também economiza informação e isso é trágico. A equipe não cresce. A comunicação fica diminuída e o próprio avarento se enterra em seu mundo desatualizado por que para ele "gastar" com cursos e com cultura é um desperdício de tempo e dinheiro. Contratar um outro colega para fazer parte da equipe é impensável: o avarento curte bater o pênalti e fazer o gol. Mais tarde irá perceber que esse gol é um gol contra!
O avarento também não dá estímulos e nem feed-back a ninguém. É um mão-de-vaca quando se trata de elogiar e incentivar as pessoas que trabalham com ele. Sem incentivo a equipe não se desenvolve, não cria e acaba passando esse clima de desânimo para o cliente. Geralmente o estúdio desse tipo de profissional não tem um ambiente convidativo e estimulante, nem para o colaborador nem para o cliente. Que tristeza...
INVEJA
O fotógrafo invejoso normalmente é um profissional que não conseguiu ter aquilo que almejava na fotografia e, por conta disso, fica profundamente perturbado com o sucesso dos colegas. Alguns se tornam depressivos e mentem sobre seus bens só para não dar o gostinho ao outro de sentir-se superior a ele. Sua equipe tende a ser pobre material e espiritualmente já que o invejoso não suporta conviver com ninguém que tenha sucesso em qualquer campo que seja da vida. Gosta de conviver com perdedores.
Invejar é diferente de ter ambição. A ambição é positiva, é energia pura. A inveja é negativa, é uma ladeira psíquica. É o desgosto ou pesar pelos bens alheios, a dificuldade de admirar o outro em meio a um sentimento de injustiça contra si. Mas tais sentimentos não levam ao progresso, ao realizar alguma coisa para mudar a situação. É pura lamúria.
O invejoso gosta de isolar-se para não se expor, mas ao mesmo tempo adora saber da vida alheia. Torna-se um fofoqueiro que vasculha sem limites a vida do próximo, mas odeia ter a sua própria vida vasculhada.
Muitos gastam mais do que ganham para manter o status social e acabam desequilibrando suas contas pessoais e as do estúdio. Quando se encontram com os colegas é para espionar e depois ficar se mordendo de inveja. E têm inveja de tudo e de todos. Não é só uma questão patrimonial ou financeira. Têm inveja da alegria, da beleza, das paixões do próximo. Tende a tornar-se um solitário já que ninguém merece um invejoso de olho gordo secando nossa pimenteira! "Fala sério" como diria o Bussunda...
Por hoje é só. Na segunda parte deste artigo, vamos falar sobre a os pecados profissionais da Ira, Luxuria, Gula e da Preguiça. Aguardem porque os pecados não acabaram!