UM POUCO DE REPERTÓRIO : CARAVAGGIO

Observo, no convívio diário com fotógrafos de todas as idades e diferentes formações, uma constante: A FALTA DE REPERTÓRIO. E, na minha opinião, esta falta de repertório é algo que deve ser combatido de forma enérgica, pois ela nos impede de criar e de evoluir na busca da nossa verdadeira fotografia. Um dos propósitos deste BLOG sempre foi “PENSAR” a fotografia e trazer subsídios para que os leitores construam seus próprios caminhos na busca por uma fotografia mais completa e autêntica.
Nessa linha, apresento a vocês mais uma preciosidade “garimpada” no Youtube: CARAVAGGIO. Um pequeno vídeo que nos apresenta não apenas as obras, mas principalmente a linha para compreensão do poder deste artista.

Enjoy.
COMODO

http://youtu.be/7PWSzEdK4cc

AKIRA KUROSAWA – “CROWS”

Imagino que vocês, leitores, já tenham ouvido falar de VINCENT VAN GOGH. E de AKIRA KUROWA. Quando este segundo decide buscar inspiração no primeiro, surge esta obra-prima.
Campo de Trigo com Corvos é uma obra do pintor holandês Vincent van Gogh concluída em julho de 1890, nas últimas semanas de vida de van Gogh. Muitos acreditam que esta foi a última obra de Van Gogh, ou até mesmo que ele se matou durante a sua pintura. Entretanto, não há nenhuma evidência que comprove esta idéia, e o autor ainda apresenta diversos trabalhos após este. No entanto, nenhum dos trabalhos futuros teria a mesma força e qualidade desta obra, que portanto muitas vezes é considerada como seu testamento pictural. Críticos e historiadores de arte analisam a obra como uma representação do estado de espírito de van Gogh na ocasião. Um céu ameaçador e escuro, os três caminhos no campo, sendo o central um beco sem saída e os dois outros de final ou percurso desconhecidos e os corvos, símbolos de maus presságios ou mesmo de morte. De fato, van Gogh se suicida após concluir esta tela.

ALGUMAS REFLEXÕES SOBRE “CRIATIVIDADE” – PARTE 01

Caros Leitores,

Ontem tive uma reunião bastante cansativa com o pessoal de mkt de uma pequena confecção. O orçamento é ridiculamente apertado (os modelos, para vcs terem uma idéia, são amigos de escola dos filhos da dona!) e o pessoal do mkt faz questão ditar todas as regras para cada uma das fotos. Depois de mais de duas horas de conversa quase improdutiva, perguntei para eles porque haviam me chamado para participar da cotação. Para minha surpresa, disseram que haviam gostados das fotos que eu durante um desfile em uma Feira (Couromoda) no ano passado.

Entre surpreso e assustado – afinal fotos de feiras não têm nada a ver com catálogos de moda – resolvi dar uma cartada final e disse: Se vocês me chamaram porque gostaram daquelas fotos, então por que não me deixam fazer exatamente aquilo no catálogo de vocês – uma linguagem fotográfica bem ágil, solta e ousada?”

E, após mais 15 minutos de conversa, eles concordaram! Retiraram todas as barreiras e agora estão esperando o preço. E eu cheguei à conclusão de que aquele cliente não apenas não sabia exatamente o que estava buscando como, pior, estava sem coragem para assumir as mudanças que a sua alma estava pedindo.

Isso me fez lembrar algumas palavras que li numa antiga entrevista do Steve Jobs e me inspirou para escrever esta primeira reflexão sobre a importância da CRIATIVIDADE. Boa leitura a todos.

NEM SEMPRE OS CLIENTES SABEM EXATAMENTE DO QUE PRECISAM.

Quando um cliente te chama é porque, normalmente, tem algum tipo de problema. O mais comum é que ele esteja buscando alguma forma nova e milagrosa de mostrar algo para o mundo de forma irresistível. E aqui entra o “X” da questão: clientes devem ser ouvidos e respeitados, mas nunca devem ser levados tão a sério a ponto de neutralizarem a sua capacidade de percepção e criação.

Quando converso com meus clientes, eu ouço atentamente tudo o que eles falam – afinal eles – em tese – conhecem profundamente a própria marca, aquilo que fabricaram ou o evento que organizaram. E quando começo a fotografar, produzo primeiro aquelas imagens que o cliente espera ver baseado em tudo o que me pediu – e depois eu enlouqueço.

No segundo momento, busco agregar valor. Tento mostrar ao cliente coisas que ele não esperava – tento mostrar para o cliente os verdadeiros motivos pelos quais ele me contratou: sou EU que tenho uma percepção mais refinada, mais criativa, mais surpreendente acerca daquela cena.

Tento levar adiante a crença de que se eu fui bom o suficiente para ser selecionado para aquele trabalho, então eu também devo ser bom o suficiente para fazer prevalecer a minha interpretação – ainda que respeitando as características do cliente como ponto de partida.

DESENVOLVA A CAPACIDADE DE DUVIDAR CONSCIENTEMENTE

Não acredite em algo simplesmente porque ouviu. Não acredite em algo simplesmente porque todos falam a respeito. Não acredite em algo simplesmente porque esta escrito em seus livros religiosos. Não acredite em algo só porque seus professores e mestres dizem que é verdade. Não acredite em tradições só porque foram passadas de geração em geração. Mas depois de muita análise e observação, se você vê que algo concorda com a razão, e que conduz ao bem e beneficio de todos, aceite-o e viva-o.
(Buda)

Quando nos dedicamos à fotografia de forma séria e tomamos a consciência de que somos artistas, um dos aspectos mais importantes – NA MINHA OPINIÃO – é o desenvolvimento do poder de crítica e de análise. E quando estamos com uma câmera na mão, o verbo que deve nos orientar é o “SENTIR”. Apenas quando SENTIMOS exercemos o PODER de criar algo que nos coloca em contato com a nossa Alma. Neste momento de criação a partir do SENTIMENTO, nossas crenças são colocadas em teste e podem ser validadas ou não.

Acredito que, na busca pela fotografia Zen, uma das chaves seja exatamente a permissão que devemos dar para que o SENTIR sobrepuje o ACREDITAR.