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LIVROS FOTOGRÁFICOS CUSTOMIZADOS: FORNECEDORES NACIONAIS X ESTRANGEIROS

Este post surgiu após uma mensagem que enviei para a lista de discussão de fotógrafos profissionais – a Fototech.
Acredito que o texto possa ajudar a todos que tenham algum tipo de relação com a fotografia.
O texto é o seguinte:

Dentro do conceito de uma lista de discussão civilizada e séria, não destilo ódio contra ninguém.
Mas, confesso, que tenho grandes dificuldades em olhar de forma simpática para QUALQUER PLAYER que pretenda ganhar dinheiro atendendo aos profissionais, sem ser ele mesmo profissional à altura e sem focar suas decisões (todas elas) nos fotógrafos profissionais que pretende atender.

Os players de qualquer setor – e no setor de livros personalizados impressos na Indigo ou qualquer outro sistema – não são diferentes.
Eles precisam de margem para viver… OK. Mas 30, 40%, como lembrou o Abdo? Isso é indecente.

Outra coisa: o MUNDO sabe da preferência de boa parte dos profissionais de fotografia pela Apple e pelo sistema iOS. O que os players nacionais fizeram com relação a isso? Durante um bom tempo obrigaram os profissionais da fotografia nacionais a manterem um PC (eca!) apenas para finalizar as suas diagramações pois não tinham – e acho que ainda não têm – um software digno para Mac (coisa que os players lá de fora têm desde sempre).

Mais uma coisa… O MUNDO sabe que fotógrafos profissionais volta e meia desenvolvem trabalhos comerciais e/ou autorais que envolvem alguma (ou muita) nudez. Para nós, um mamilo ou uma periquita no meio de um trabalho fotográfico é algo absolutamente comum e contextualizado – até mesmo para aquele fotógrafos “doidões” que se aproximam do estilo “Mapplethorpe” de ser. E não é que um destes players nacionais, há algum tempo atrás, criou um tremendo constrangimento e um problemão para o Gal Oppido, um dos profissionais mais criativos, consistentes, reconhecidos e brilhantes da fotografia brasileira? O motivo todo mudo da lista acompanhou e a razão alegada pelo player nunca ficou bem clara (parece que foram princípios administrativos e/ou medinho da Justiça). Não vou me estender na defesa do Gal, pois embora seja fã do trabalho dele, não tenho procuração para falar em nome dele. Mas neste link as pessoas que não acompanharam o problema poderão saber do que estou falando (http://camaraobscura.fot.br/2009/01/14/digipix-se-recusa-a-imprimir-portifolio-de-gal-oppido/).

Pois bem, sob o MEU ponto de vista, não existe uma atividade sem risco. E o excesso de cuidado muitas vezes compromete o cumprimento de metas que estabelecemos. Se eu pretendo me posicionar como uma empresa que atende profissionais, EU NÃO POSSO ATENDER AOS PROFISSIONAIS APENAS QUANDO ESTOU ISENTO DE RISCOS E VOU GANHAR DINHEIRO. Eu preciso estar disposto a, de vez em quando, também perder dinheiro por estar acreditando e sendo parceiro daquele segmento que me propus a atender.

O MEU fornecedor americano também erra – e nos últimos 7 anos errou exatas 4 vezes (num total de mais de 200 pedidos que nele coloquei). Em todas as 4 vezes bastou um E-mail com uma foto do problema para eles me mandarem um livro novinho em folha em menos de 7 dias e mais um voucher de 50% de desconto para a próxima compra. Sem perguntas, sem pedidos de explicações. O meu fornecedor sabe que, por eu ser profissional, o meu cliente não quer esperar e não quer saber o porque uma das páginas chegou colada, desbotada ou foi montada invertida.

Finalmente, se eu posso escolher entre um fornecedor que segue as regras jurídicas e éticas, que se recusa a manipular palavras para obter vantagens tributárias, que mesmo estando a milhares de quilômetros tem um canal de chat e de telefone gratuitos – com atendentes em português, que SABEM EM DETALHES COMO O LIVRO É FEITO E TÊM AUTONOMIA PARA RESOLVER O MEU PROBLEMA – qual o motivo para eu escolher um player nacional que sequer um suporte decente para o pós-venda consegue oferecer? Não consigo ser patriota a este ponto.

A discussão sobre COMO ATUAM OS PLAYERS NACIONAIS, numa lista de fotógrafos profissionais, contribui para que nós tomemos vergonha na cara e passemos a exigir um tratamento digno e diferenciado. Contribui para que nós passemos a ser ouvidos pelos tais players que, se querem nos atender, devem faze-lo com FOCO NAS NOSSAS NECESSIDADES E NÃO COM FOCO NO QUE LHES DÁ MAIS LUCRO. A discussão dissi, nesta lista, contribui para que os players nacionais passem a nos oferecer ferramentas que facilitem o nosso trabalho e nos ajudem a encantar os nossos clientes – e não apenas papel com tinta por cima.

Eu quero muito mais do que um fornecedor que faça um livro panorâmico – com o perdão da palavra, isso é bullshitagem. Meu cliente COMPRA AS MINHAS FOTOS, apresentadas na forma que eu os convenço ser suficientemente boa para exibir o meu trabalho. O resto é modismo.
Eu quero um fornecedor que seja ético, que não me entupa de perguntas nem tente transferir para mim a culpa por um livro com problemas de impressão ou montagem.

Eu quero um fornecedor que me ofereça um sistema de upload ágil, de rastreamento eficiente da produção e entrega do meu trabalho.
Eu quero um fornecedor que desenvolva sua plataforma de software preocupado com aquilo que eu uso – e não um fornecedor que faz o que é melhor e mais barato para si próprio, mandando eu me adaptar às escolhas que fez.
Eu quero um fornecedor que monte seus preços de forma a me incentivar a fazer livros cada vez maiores – e não um fornecedor que deseje ganhar margens de lucro ainda maiores me oferecendo pagininhas extras por preços estorsivos.
Enfim, eu quero um fornecedor que, quando precisa crescer, luta para aumentar a própria produtividade ou para conseguir isenções fiscais que lhe permitam manter ou diminuir os preços cobrados de mim. Definitivamente, eu não preciso de um fornecedor que, para garantir o seu share de mercado, decide foder com os outros – principalmente se eu estiver entre estes “outros”.
E acho, sim, que uma lista de fotografia de profissionais, é palco para estes debates, para estes questionamentos civilizados.

Não estou pregando a morte ou o ódio aos players nacionais.
Estou pregando uma ação conjunta nossa no sentido de não fecharmos os olhos para a realidade do mundo.
Se desejamos ser os melhores prestadores de serviço, precisamos nos cercar dos melhores parceiros, de parceiros que pensem como nós.

Se eu trabalho focado no meu cliente, tentando entender as necessidades deles e ANTECIPAR aquilo que o deixará muito feliz e surpreso, louco para me contratar por que motivo devo me contentar com um fornecedor que pense diferente em relação a mim??

Eu me recuso a trabalhar para clientes cuja decisão de compra se baseia apenas no critério preço – é uma decisão minha.
Da mesmo forma, por uma questão de crença e coerência, eu me recuso a escolher um fornecedor apenas baseado no critério preço.

Prefiro pagar mais caro para um fornecedor que me respeite.
Prefiro pagar mais caro para um fornecedor que me procure, no pós-venda, para avaliar o processo de fornecimento.
Prefiro pagar mais caro para um fornecedor que me dê ferramentas para criar e encantar o meu cliente.
Prefiro pagar mais caro para um fornecedor que me ajude a ganhar dinheiro e que não tenha como foco apenas ganhar o meu dinheiro.
E, infelizmente, fornecedores assim existem apenas lá fora.

Só para constar, sigo admirando o espírito empreendedor do fundador da Digipix. Ele gerou empregos, está contribuindo para a criação de um segmento da economia que há alguns poucos anos não existia, etc. Mas isso não impede que eu tenha uma visão crítica sobre o trabalho que ele desenvolve. Se eu não fosse um profissional da fotografia e não trabalhasse focado no que acredito ser o melhor para os fotógrafos profissionais, provavelmente eu não fosse tão crítico aos players nacionais do setor de livros customizados e impressos digitalmente.

COMODO

UM POUCO DE REPERTÓRIO : CARAVAGGIO

Observo, no convívio diário com fotógrafos de todas as idades e diferentes formações, uma constante: A FALTA DE REPERTÓRIO. E, na minha opinião, esta falta de repertório é algo que deve ser combatido de forma enérgica, pois ela nos impede de criar e de evoluir na busca da nossa verdadeira fotografia. Um dos propósitos deste BLOG sempre foi “PENSAR” a fotografia e trazer subsídios para que os leitores construam seus próprios caminhos na busca por uma fotografia mais completa e autêntica.
Nessa linha, apresento a vocês mais uma preciosidade “garimpada” no Youtube: CARAVAGGIO. Um pequeno vídeo que nos apresenta não apenas as obras, mas principalmente a linha para compreensão do poder deste artista.

Enjoy.
COMODO

http://youtu.be/7PWSzEdK4cc

AKIRA KUROSAWA – “CROWS”

Imagino que vocês, leitores, já tenham ouvido falar de VINCENT VAN GOGH. E de AKIRA KUROWA. Quando este segundo decide buscar inspiração no primeiro, surge esta obra-prima.
Campo de Trigo com Corvos é uma obra do pintor holandês Vincent van Gogh concluída em julho de 1890, nas últimas semanas de vida de van Gogh. Muitos acreditam que esta foi a última obra de Van Gogh, ou até mesmo que ele se matou durante a sua pintura. Entretanto, não há nenhuma evidência que comprove esta idéia, e o autor ainda apresenta diversos trabalhos após este. No entanto, nenhum dos trabalhos futuros teria a mesma força e qualidade desta obra, que portanto muitas vezes é considerada como seu testamento pictural. Críticos e historiadores de arte analisam a obra como uma representação do estado de espírito de van Gogh na ocasião. Um céu ameaçador e escuro, os três caminhos no campo, sendo o central um beco sem saída e os dois outros de final ou percurso desconhecidos e os corvos, símbolos de maus presságios ou mesmo de morte. De fato, van Gogh se suicida após concluir esta tela.

ALGUMAS REFLEXÕES SOBRE “CRIATIVIDADE” – PARTE 01

Caros Leitores,

Ontem tive uma reunião bastante cansativa com o pessoal de mkt de uma pequena confecção. O orçamento é ridiculamente apertado (os modelos, para vcs terem uma idéia, são amigos de escola dos filhos da dona!) e o pessoal do mkt faz questão ditar todas as regras para cada uma das fotos. Depois de mais de duas horas de conversa quase improdutiva, perguntei para eles porque haviam me chamado para participar da cotação. Para minha surpresa, disseram que haviam gostados das fotos que eu durante um desfile em uma Feira (Couromoda) no ano passado.

Entre surpreso e assustado – afinal fotos de feiras não têm nada a ver com catálogos de moda – resolvi dar uma cartada final e disse: Se vocês me chamaram porque gostaram daquelas fotos, então por que não me deixam fazer exatamente aquilo no catálogo de vocês – uma linguagem fotográfica bem ágil, solta e ousada?”

E, após mais 15 minutos de conversa, eles concordaram! Retiraram todas as barreiras e agora estão esperando o preço. E eu cheguei à conclusão de que aquele cliente não apenas não sabia exatamente o que estava buscando como, pior, estava sem coragem para assumir as mudanças que a sua alma estava pedindo.

Isso me fez lembrar algumas palavras que li numa antiga entrevista do Steve Jobs e me inspirou para escrever esta primeira reflexão sobre a importância da CRIATIVIDADE. Boa leitura a todos.

NEM SEMPRE OS CLIENTES SABEM EXATAMENTE DO QUE PRECISAM.

Quando um cliente te chama é porque, normalmente, tem algum tipo de problema. O mais comum é que ele esteja buscando alguma forma nova e milagrosa de mostrar algo para o mundo de forma irresistível. E aqui entra o “X” da questão: clientes devem ser ouvidos e respeitados, mas nunca devem ser levados tão a sério a ponto de neutralizarem a sua capacidade de percepção e criação.

Quando converso com meus clientes, eu ouço atentamente tudo o que eles falam – afinal eles – em tese – conhecem profundamente a própria marca, aquilo que fabricaram ou o evento que organizaram. E quando começo a fotografar, produzo primeiro aquelas imagens que o cliente espera ver baseado em tudo o que me pediu – e depois eu enlouqueço.

No segundo momento, busco agregar valor. Tento mostrar ao cliente coisas que ele não esperava – tento mostrar para o cliente os verdadeiros motivos pelos quais ele me contratou: sou EU que tenho uma percepção mais refinada, mais criativa, mais surpreendente acerca daquela cena.

Tento levar adiante a crença de que se eu fui bom o suficiente para ser selecionado para aquele trabalho, então eu também devo ser bom o suficiente para fazer prevalecer a minha interpretação – ainda que respeitando as características do cliente como ponto de partida.

MAIS UMA PESSOA CUIDANDO DA RIGUARDARE

Caros Amigos,
Nada como a Páscoa para nos trazer oxigênio novo e provocar mudanças que há muito eram adiadas.
Esta mensagem trás em seu bojo pelo menos duas novidades:
1) A inauguração do BLOG DA RIGUARDARE
2) A notícia de que, a partir de hoje passo a dividir a responsabilidade pela RIGUARDARE com a minha esposa – Neide – que vem somar energia e colocar em prática projetos que estavam parados por falta de tempo.
Quanto ao BLOG, será um espaço para divulgar notícias do mundo fotográfico, expor idéias sobre os rumos da fotografia no Brasil e no mundo, sugerir conteúdo cultural e tratar das mais diversas formas de desenvolvimento humano.