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TREINE, TREINE MAIS, CONTINUE TREINANDO.

Você quer alcançar um sucesso extraordinário no que faz? Seja na fotografia ou em qualquer outra atividade? Acredito que a chave para isso esteja em duas palavras: ESTUDO E TREINO.

Há algum tempo li o livro “Outliers – Fora de Série” (Malcolm Gladwell), onde o autor defende que para dominar completamente uma atividade, são necessárias algo como 10 mil horas de treino. Um dos exemplos citados são os Beatles que, antes da fama, chegavam a tocar pelo menos 8 horas por dia durante os 7 dias da semana.

Também é lembrado naquele livro o caso de Bill Gates que, somente após suas mais de 10 mil horas de programação, chegou ao ponto de estar preparado para fundar a primeira empresa de Software do mundo.

Acredito que a fotografia não seja diferente. Não basta ter um equipamento – mais ou menos sofisticado – nem frequentar boas escolas, nem ler tudo o que estiver ao alcance dos olhos. Isso é apenas parte de todo o processo: ADQUIRIR CONHECIMENTO. Compreender os princípios – físicos, estéticos e criativos – de funcionamento da fotografia é apenas o começo do caminho.

A outra parte – a mais complicada e sacrificada – é o treino exaustivo. São as tais 10.000 horas que farão com que o equipamento passe a fazer parte do organismo do fotógrafo. As horas – solitárias ou não – durante as quais o fotógrafo aprende não a dominar a luz – pois a dominação sugere uma relação tensa – mas a conviver, compreender, ouvir e ser ouvido, respeitar e ser respeitado pela Luz que, assim, se torna sua companheira fiel.

Será este treino que permitirá ao fotógrafo pressentir a chegada daquele momento único, cuja captura apenas é possível às pessoas que mais sentem do que enxergam. Será este treino que fará a diferença quando, sozinho, o fotógrafo precisar hipnotizar um animal selvagem ou dirigir aquela modelo para uma complexa foto publicitária.

Será este treino que permitirá ao fotógrafo, muitas vezes de forma inconsciente, fazer o clique “perfeito”, estando no lugar certo e na hora certa.

E você? QUANTAS HORAS JÁ TREINOU HOJE?

Abaixo, um vídeo que pode ajudar na inspiração para todas estas horas de treino.

COMO VOCÊ SE RELACIONA COM SEUS CLIENTES?

Resolvi escrever este artigo para, ao mesmo tempo, expor uma opinião pessoal sobre um assunto que está gerando uma enorme celeuma e, também os desdobramentos de uma conversa tida hoje na hora do almoço com um cliente querido e nem sempre bem-humorado.

Vamos à primeira parte da questão: CLIENTES DIFERENTES, QUE PEDEM UM MESMO TRABALHO, DEVEM RECEBER ORÇAMENTOS DIFERENTES EM VIRTUDE DOS SEUS FATURAMENTOS?

Imaginemos o seguinte exemplo prático e fictício, onde os nomes dos clientes são colocados apenas para fins de discussão acadêmica: A COLA-COLA – através de sua agência – lhe pede um orçamento para still básico de uma garrafa pet 2 litros, com licença de uso para 2 meses, apenas no Estado de São Paulo, para uso em determinado plano de mídia. Coincidentemente, a TUBAÍNA também lhe pede – através de agência que a atende – um orçamento para um still parecidíssimo com o da Coca, para uso também no Estado de São Paulo e com plano de mídia exatamente igual. Ambos os trabalhos demandarão um dia de estúdio com assistente e mais 2 dias para pós-produção. Mais do que isso, é a primeira vez que ambos os clientes lhe pedem um orçamento. A questão é: os orçamentos serão iguais ou o cliente com maior poder econômico receberá um orçamento maior?

Até que me provem ser errado, EU continuarei cobrando o mesmo valor para serviços equivalentes, pouco importando o tamanho do cliente. Ou seja, o que eu avalio é o tamanho do trabalho, não o tamanho do cliente.

E nos ambientes onde eu apresento esta questão – normalmente em salas de aulas ou palestras – sempre há um grupo que me aplaude (formado por empresários, compradores e prestadores de serviços) e um grupo que deseja a minha morte (formado por publicitários, fotógrafos que atendem estes publicitários e marqueteiros).

Obviamente não desejo impor a minha opinião – que pode até mudar um dia. Mas até agora não ouvi um unico argumento sério, ético e honesto que me convencesse a cobrar valores diferentes por um mesmo serviço, apenas por conta do tamanho do cliente. O pior é que o argumento que mais escuto é “tem sido assim há séculos” – como se o mercado e os relacionamentos entre compradores e vendedores não podessem sofrer modificações.

Houve até quem argumentasse que os clientes milionários fazem questão de pagar mais para, depois, se gabarem que determinada campanha custou X milhões. Pode ser verdade. Mas o que pensaria o CEO da Coca se descobrisse que o mesmo fotógrafo que lhe cobrou R$ 150.000,00 por uma foto, também fez o mesmo trabalho para a Tubaína por R$ 15.000,00? Será que ele vai achar isso normal, ético e de acordo com o mercado? Ou vai achar que o pessoal do marketing está gastando de forma irresponsável o dinheiro dos investidores?

Neste Natal vivi uma experiência que reafirmou a minha crença. O mesmo produto – um vidrinho de perfume do Boticário – estava sendo vendido pelo mesmo preço no Shopping Center Norte e no Shopping Cidade Jardim. Ou seja: tanto o cliente abastado quanto aquele menos endinheirado pagam o mesmo valor pelo mesmo produto. O mesmo vale para a BAKED POTATO – que eu adora – e tem o mesmo preço, para os mesmos produtos, em ambos os Shoppings. Ou será que a loja que atende aos consumidores do Shopping Cidade Jardim teria o direito/dever de cobrar mais caro?

Será bom começar o ano discutindo e refletindo sobre isso.

Agora vamos ao segundo tema: SERÁ QUE VOCÊ PRECISA FAZER POR SEUS CLIENTES COISAS PELAS QUAIS ELE NÃO IRÁ PAGAR E NEM MESMO AGRADECER? E se isso provocar o risco da não contratação dos seus serviços? Como você agiria?

Ocorreu-me, durante um papo na hora do almoço, que esta é uma questão fundamental nos negócios. Você está disposto a dar aos seus clientes as novidades, conselhos e comentários que eles não querem ouvir, mas precisam saber?

Obviamente desejamos “adoçar” e “manter sob controle” os nossos clientes. Mas como proceder quando detemos algum conhecimento que poderia tornar nossos clientes ainda mais bem-sucedidos, mas colocando em risco a relação de fornecimento?

Nossos clientes são especialistas em suas respectivas áreas de atuação – seja indústria ou comércio. Mas nós somos especialistas em nossa área: FOTOGRAFIA (no meucaso, além da fotografia, tem o Direito!). E se nós pensamos em melhorias ou novas formas de fazer as coisas, é nossa responsabilidade levar isso aos nossos clientes. Isso é, quando nós nos preocupamos com o sucesso dos negócios dos nossos clientes e buscamos continuamente as melhorias e inovações.

Como advogado, percebo que existe uma forte tendência de os clientes optarem pela decisão “MAIS SEGURA”. O que não muda muito se considerarmos os clientes dos fotógrafos ou dos designers. Diante de 3 ou 4 possibilidades igualmente viáveis, o cliente tenderá a escolhes a mais segura ou conservadora.

A questão é: se você tiver fortes motivos para acreditar que a abordagem mais ousada é a mais adequada para o cliente, você irá dizer isso a ele ainda que ninguém lhe pergunte?

Colocando em outras palavras: A nossa tarefa é cumprir ordens ou fazer com que o nosso cliente seja o mais bem-sucedido possível? Podemos apenas cumprir as ordens, virar as costas e seguir com outra tarefa ou nos envolver com o cliente e agir como se fosse nosso o problema do cliente – O DETALHE É QUE RARAMENTE OS CLIENTES ESTARÃO DISPOSTOS A REMUNERAR ESTE NOSSO COMPORTAMENTO ENGAJADO.

Há uma regra simples que um dia me foi ensinada nos bancos da Faculdade de Direito, pelo professor de economia: tente sempre prometer menos e entregar mais. E é incrível como são poucos os fornecedores que conhecem ou obedecem tão sábio ensinamento.

Assim, ouso discordar da máxima segundo a qual “o cliente sempre tem razão”. Devemos ser educados e amigáveis. Também não devemos discutir com nossos clientes. Mas se formos confrontados, devemos ser pró-ativos e defender a nossa opinião com segurança, ética e coerência. Devemos usar a qualidade do nosso trabalho para fazê-los entender que o nosso conselho é baseado na experiência, conhecimento e um desejo genuíno de fazer o melhor possível para garantir o seu sucesso.

A lógica é muito simples. Se os seus clientes são bem-sucedidos, você será mais bem sucedido. Faça isso até por motivos egoístas se você preferir: torná-los ricos para que eles possam gastar mais com você do que com seus concorrentes.

Há sempre uma única maneira de garantir a repetição de negócios: SEJA A MELHOR OPÇÃO PARA O SEU CLIENTE. Quem prefere ficar com a segunda melhor opção quando pode ter a melhor?

EM 2011, SINTA A FELICIDADE…

Caros Leitores,

O ano de 2010 começou bem, mas o segundo semestre não foi nada fácil… E agora estamos diante de um novo ano que promete muitas oportunidades. Mas o início de um ano é sempre um período de reflexões e planejamento para um novo ciclo e na busca da felididade plena.

Este “post” foi escrito a 8 mãos, quando parei para um bate-papo com amigos na mesa do meu boteco preferido, na véspera do Natal. E o assunto do papo foi exatamente a “construção da felicidade“, quando concluímos que a melhor forma de “contruirmos a tal felicidade” implica em “sentirmos LAMPEJOS de felicidade” no dia-a-dia.

Isso porque fica mais fácil mantermos o foco na construção da felicidade quando a sentimos de forma constante – ainda que não muito intensa. Embora cada pessoa encontre a felicidade – no seu sentido mais intenso – através de uma fórmula bastante pessoal, ousamos – eu e meus amigos – afirmar que existe uma série de atitudes, de comportamentos, capazes de provocar os tais “lampejos de felicidade” na maior parte dos seres humanos.

A partir daí, passamos a relacionar atitudes que têm o poder de desencadear a sensação de felicidade na maior parte das pessoas. E é esta relação que eu lhes apresento abaixo, convidando-os a comentar e sugerir outras atitudes – além, obviamente, de praticá-las!

001) Desafie a você mesmo com algo que jamais tenha feito;
002) Diga para alguém que você a ama;
002) Saia de casa para conhecer um lugar novo;
003) Separe um tempo para conversar com pessoas inspiradoras;
004) Busque cheiros que te agradem – e os memorize;
005) Entenda que tudo tem um fim – olhe ao seu redor e identifique os ciclos encerrados;
006) Medite
007) Perceba as coisas engraçadas e não segure o riso;
008) Deixe, deliberadamente, de comprar algo e guarde o dinheiro na poupança;
009) Converse com alguém que, normalmente, você não conversaria;
010) Demonstre gratidão;
011) Brinque longamente com uma criança;
012) Limpe a sua própria casa, um pouco a cada dia;
013) Vista a sua roupa favorita;
014) Coloque algumas flores na sua casa, num local bem evidente;
015) Faça algo que te lembre a sua infâcia;
016) Passe um dia inteiro apenas com você;
017) Faça um pique-nique com uma pessoa especial;
018) Faça algo que vinha adiando;
019) Perdoe alguém – principalmente você mesmo;
020) Passe 24 horas desconectado de todas as mídias;
021) Descubra sensações táteis que lhe sejam agradáveis – toque em várias texturas e as grave no cérebro;
022) Presenteie alguém sem que exista um motico para isso;
023) Siga sua paixão;
024) Cerque-se de pessoas positivas – sejam elas reais ou virtuais;
025) Passe algum tempo com um bom amigo;
026) Deixa de lado as lembranças negativas;
027) Confie no seu instinto;
028) Dê uma festa;
029) No mesmo dia, observe o nascer e o pôr do sol;
030) Olhe longamente para algo que te traga felidade;
031) Faça algo que sempre desejou, mas nunca experimentou;
032) Estabeleça um novo hábito – um bom hábito;
033) Faça uma boa ação para um conhecido e para um desconhecido, no mesmo dia;
034) Releia um livro que você gostou;
035) Prepare um milk-shake;
036) Escreva ou adote um mantra (do sânscrito Man mente e Tra alavanca);
037) Mude sua rotina;
038) Revisite fotografias antigas;
039) Faça novas fotografias e guarde-as bem;
040) Alongue o seu corpo;
041) Desafie o seu cérebro – experimente palavras cruzadas ou sudoku;
042) Conte para alguém os seus sonhos;
043) Transmita os seus conhecimentos para alguém que você conheça bem;
044) Agradeça ao seu Deus pela sua Vida;
045) Persevere: tente mais uma vez aquilo que você deseja;
046) Faça um passeio de bicicleta;
047) Pegue o telefone e ligue para alguém com quem você não fala há muito tempo;
048) Estabeleça uma meta;
049) Alimente patos no parque público;
050) Pense nas suas conquistas do passado;
051) Entre em contato com a natureza;
052) Evite pessoas pessimistas;
053) Desenvolva uma nova habilidade, aprenda algo diferente;
054) Escolha ser feliz todos os dias, logo que acordar.

E você, Leitor, me ajude a fazer esta lista crescer.

COMODO

AS VANTAGENS DE APRENDER FAZENDO – NA VIDA E NA FOTOGRAFIA!

Conversando via Skype com um amigo que disse aprender tudo o que precisa através da leitura, INCLUSIVE FOTOGRAFIA, eu o questionei sobre a dificuldade colocar em prática toda aquela teoria que os livros ensinam e argumentei com o chavão segundo o qual “a teoria, na prática é outra“.

Esta minha percepção de que a prática normalmente conta mais do que a teoria vem desde os tempos da faculdade de Direito, quando aprendia em poucos minutos nos balcões dos fóruns e nas salas das delegacias muito mais do que em muitas horas nas salas de aula. Não estou despresando a teoria. Apenas acedito que a prática faz nascer em nós um “savoir faire” (ou, saber fazer) insubstituível nos dias hoje, onde a rapidez e a critividade na hora de solucionar problemas conta mais do que as regras teóricas ou filosóficas muitas vezes vazias de sentido e sem resultados práticos.

No entanto, sabe-se lá o motivo, eu (e praticamente todo mundo) muitas vezes acabo deixando de colocar em prática aquilo que sei na teoria. Desta recente conversa com meu amigo surgiu a vontade de escrever estas linhas que, agora, submeto a vocês:

Para começar, vou contar uma experiência pessoal. Eu gosto muito de aprender coisas novas, principalmente, de aprender novas formas de me tornar um ser-humano melhor e de me relacionar com outras pessoas. Depois de ler, ao longo de muitos anos, um bocado de artigos em jornais, revistas e Blogs, tive a impressão de já saber quase tudo sobre o assunto.

Mas ao mesmo tempo eu tinha quase certeza de que eu não estava melhorando enquanto ser-humano e nem estava evoluindo muito nos meus relacionamentos com as pessoas à minha volta. FOI FRUSTRANTE ESTA CONSTATAÇÃO – que como muitas outras, aconteceu durante minha loooonga internação.

Na verdade, esta constatação aconteceu por volta do 4o dia de internação, ainda na UTI, com drenos no cérebro e com todo o tempo do mundo para pensar. A “ficha caiu” de forma dura: Eu sei bastante sobre desenvolvimento pessoal e relacionamentos interpessoais. Falta fazer, colocar mais em prática todas aquelas teorias e validar ou não tudo aquilo que foi lido ou me foi ensinado um dia.

Diante disso, parti para tentar dar uma aplicação imediata para aquilo que eu sabia através dos livros. E a partir do momento que comecei a aplicar o que eu tinha aprendido no campo do desenvolvimento pessoal à minha própria vida, um monte de coisas começaram a fazer a diferença. Todas as aulas que tive um dia, todas as verdades que me ensinaram, de repente passaram a me impactar – algumas se confirmando, outras não.

Acreditem: Existe uma diferença enorme entre simplesmente saber e realmente fazer.

Se você ler todos os livros, blogs e artigos sobre fotografia você provavelmente achará que é muito fácil se tornar um fotógrafo. E é … na teoria. Mas pegue uma câmera DSLR pela primeira vez para fazer uma matéria jornalística, cobrir um evento ou criar a imagem que ilustrará uma campanha publicitária e as minhas apostas são de que você estará chorando de desespero muito antes do que imagina.

Tudo se resume ao velho ditado de que a prática correta leva à perfeição.

Pensando em tudo isso, ouso relacionar para vocês alguns dos benefícios visíveis de aprender fazendo.

1. Você ganha um melhor entendimento do que significa realmente, em termos de facilidade, dificuldades e poder aquilo que você sabe. Usar uma câmera DSLR pode parecer simples se você ler o manual ou assistir a uma aula. Quando você se deparar, entretanto, as sutilezas de ajustar o balanço de branco, controlar a quantidade exata de luz, alinhar o horizonte, dirigir as pessoas, criar ou esconder as sombras, acertar a quantidade exata de “borrado” para dar dinamismo à cena as dificuldades de ser fotógrafo ficarão bem aparentes. Estas são coisas que você jamais aprenderá simplesmente lendo ou ouvindo são, certamente, as mais importantes a saber.

2. Você descobre se, realmente, aquela teoria se aplica a você e se você gosta ou não dos resultados. Uma das primeiras coisas que me ensinaram quando comecei a estudar fotografia foi a fotometria baseadas nas zonas de cinza. Eu achei aquilo lindo. Para mim, tudo fazia sentido e era simples. Comprei alguns livros sobre o assunto, pesquisei muito na Internet, analisava fotografias tentando contar as zonas de cinza. Até o dia em que pegueia minha câmera e fui para a rua colocar aquele conhecimento em prática. Eu estava muito animado até apontar a câmera para aquilo que me interessava e perceber que seria quase impossível eu utilizar aqueles conhecimentos, dos quais eu tanto gostava, na prática. Eu nunca teria pensado que este sistema não era para mim, porque eu simplesmente amei o que eu estava lendo.

3. Você sabe o que você pode ajustar. Só porque, na prática, eu não gostei do sistema de zonas como um todo, não significa que não houvesse partes que eu gostei. Eu passei a ser capaz de escolher quais aspectos do sistema que eu poderia integrar perfeitamente às minhas necessidades. Embora a maior parte dos seres-humanos continue negando, a maioria das coisas não são “tudo ou nada” e normalmente permitem uma utilização parcial ou um ajuste para se tornarem plenamente funcionais a você.

4. Você ganha uma compreensão mais profunda do assunto. Ao fazer algo, você estará aplicando o seu conjunto único de habilidades (o seu repertório), talentos e experiências para aquela atividade. Voltando ao exemplo da fotografia, há um monte de coisas das quais você sentiria falta se apenas aplicasse os conceitos teóricos. Ao aplicar as coisas teóricas você tem a possibilidade de modificar a atividade, experimentar a aprender coisas funcionais para você. É esta experiência em primeira mão que faz com que idéias e conceitos surjam na sua mente e sirvam de alavanca para a criatividade.

5. Aprender fazendo promove o pensamento crítico. O pensamento crítico é uma habilidade importante da vida. Ler e repetir as palavras de outras pessoas como se fossem nossas enriquece muito a nossa própria experiência de vida. Além disso, muito do que lemos ou ouvimos simplesmente não é verdadeiro em determinadas circunstâncias. Fazer as coisas e experimentar permite questionar o status quo, descobrir coisas novas, novos métodos, e faz com que não fiquemos agarrados a uma falsa crença.

Eu não desejo, com este “post“, afastar a importância do conhecimento teórico no contexto do aprendizado – e ele é, certamente, muito importante. Tecnicamente, eu afirmo que tanto o conhecimento teórico quanto o prático são extremamente importantes para o processo de aprendizagem e evolução e muito tempo investido em um ou outro não seja o ideal.

Mas a minha percepção é de que o ser-humano médio está gastando mais tempo em absorção de teorias do que lançando-se à prática responsável e à experimentação. Acredito que a minha responsabilidade de educador me obriga a tentar levar meus alunos ao melhor balanceamento desta equação teoria x prática. E por isso este “post“.

DICAS PARA MELHORAR O SEU APRENDIZADO

Poucas pessoas compreendem a importância de um aprendizado contínuo ao longo da vida e conseguem perceber o quanto isso está ligado ao próprio desenvolvimento pessoal. Isso para não falar naqueles que confundem aprendizado com treinamento – aprendizado é aquisição novas competências, enquanto treinamento é desenvolvimento de competências que já possuímos.

Neste começo de noite tive uma conversa simplesmente fabulosa com o Rogério – que é PHD em Ciência do Aprendizado. Foi um papo de quase 2 horas onde discutimos as formas como o conhecimento é absorvido pelo cérebro e, mais interessante ainda, quais os “truques” para transmitirmos e absorvermos de forma mais eficiente o conhecimento. Também falamos sobre como o aprendizado contínuo interfere na busca no desenvolvimento pessoal.

Certamente não conseguirei colocar neste “post” tudo aquilo foi conversado. Mas tentarei reunir os principais pontos:

1. FAÇA UM PLANO: Planejamento, certamente, não é uma tarefa simples nem a preferida de muitas pessoas. No entanto este plano é algo que pode facilitar muito a sua vida e é algo essencial na otimização do seu aprendizado. Sem um plano, é quase impossível saber exatamente o que você está fazendo, porque você está fazendo e para onde está indo. Coloque neste plano os motivos pelos quais você vai em busca do aprendizado, quanto tempo você julga necessário e quais os investimentos (financeiros, logistícos, de tempo, etc) que serão necessários. Algumas pessoas incluem no planejamento quem será a pessoa responsável por lhe transmitir os conhecimentos necessários e quais os motivos desta escolha.

2. ANOTE AQUILO QUE VOCÊ PRECISA SABER: Decida o que você precisa aprender e como você pretende utilizar suas novas competências. A partir daí, crie um “Diário do Aprendizado” pois isso é algo importante para o seu desenvolvimento pessoal. Quando você consegue rastrear o “antes” e o “depois”, além de manter-se fiel àquilo que comprometeu-se a buscar, consegue manter-se motivado. As anotações neste “Diário” também serão úteis quando você completar aquele ciclo de aprendizado e for definir o próximo ciclo.

3. COLOQUE EM PRÁTICA, DE FORMA SÁBIA, AQUILO QUE APRENDEU: O conhecimento é, possivelmente, o mais valioso dos bem que uma pessoa pode possuir. No entanto, ele se torna completamente sem sentido caso não seja acompanhado das ações necessárias para produzir efeitos práticos. Ponha seu novo aprendizado em prática – isso o manterá vivo em sua alma, levará a futuros aperfeiçoamentos dele próprio, além de contriuir, de alguma forma, para a evolução das pessoas que te cercam.

4. ANOTE AQUILO QUE VOCÊ APRENDEU: Esta é uma continuação da dica número 2. Fazendo anotações detalhadas sobre a evolução do que aprendeu irá ajudá-lo com as suas sessões de análise. Isso evitará que o seu novo aprendizado se torne um exercício sem sentido ou que você perca o norte. Ao mesmo tempo, as suas anotações devem vir acompanhadas de “insights” sobre utilidades para este novo conhecimento a curto e médio prazos e “plugins” de conhecimento que deverão ser buscados no futuro. Use o seu “Diário do Aprendizado”.

5. COMPARTILHE A SUA APRENDIZAGEM: Isso é mais do que colocar em prática. Sempre que adquirir novos conhecimentos, diga isso para as outras pessoas e compartilhe isso com elas (aliás, este post serve exatamente para isso!). Isso irá reforçar a sua aprendizagem e permite que você avalie a verdadeira extensão da sua compreensão.

6. FAÇA ALGO ESPECIAL POR ALGUÉM: Crie o hábito de marcar cada etapa da sua evolução na busca de novos conhecimentos com algum tipo de atitude inesperada para com uma pessoa do seu convívio. Quem lhe transmite novos conhecimentos não espera nada em troca além do combinado. Mas aprender a mostrar gratidão e principalmente transformar esta gratidão em atitudes que favoreçam outra pessoa, que não aquela que a mereceria, é uma parte importante do seu desenvolvimento pessoal. Do ponto de vista do princípio da Lei da Atração, aquilo que você enviar é o que você terá de volta. Se você ajudar desinteressadamente as pessoas que estão com algum tipo de necessidade, você receberá um gesto semelhante em troca, quando você também estiver em necessidade.

7. ENFRENTE O DESAFIO DAS CRENÇAS E APRENDIZADOS ANTIGOS: Na medida em que o seu aprendizado progride e você passar a conviver com novos horizontes e pontos-de-vista, nem sempre suas crenças e aprendizados anteriores se encaixarão no seu novo “EU”. Terá chegado, então, o tempo de analisar criticamente o seu conhecimento e decidir o que fica e o que vai. Desafie, sem medo, essas crenças e conhecimentos antigos!

8. SEJA SELETIVO AO MONTAR SUAS EQUIPES: Uma pessoa que avança no seu desenvolvimento pessoal e na busca constante de conhecimentos normalmente se torna alguém muito desejado. Embora você deva sempre ter em mente, como um mantra, o dever de compartilhar seus conhecimentos com os outros, cuidado para não se desrespeitar permitindo que tais conhecimentos sejam compartilhados com pessoas que desejem apenas se aproveitar de você e de suas habilidades. Trate de compartilhar aquilo que você tem de mais precioso com pessoas que tenham a mesma nobreza de sentimentos e bons propósitos.

9. CERQUE-SE DE PESSOAS SEMELHANTES: Cercar-se de pessoas que também estejam focadas em seus respectivos desenvolvimentos pessoais irá ajudá-lo a trilhar o seu próprio caminho de maneira segura. Este círculo de amigos, que representam um verdadeiro campo de força, criará uma atmosfera com muita energia positiva para apoiar a sua causa e ajudar no seu aprendizado.

10. RESPEITE A SI MESMO E À SUA APRENDIZAGEM: Jamais encare a si mesmo e ao seu processo de aprendizagem de outra forma que não seja com todo o seu coração. Se isto não acontecer, fatalmente o risco de fracasso na absorção dos novos conhecimentos será muito grande e certamente você sofrerá uma grande decepção. Mantendo e mostrando o respeito você demonstrará – para si e para quem lhe transmite os novos ensinamentos – ser digno do poder que está recebendo e manterá seus níveis de energia e motivação em alta, prontos para evoluir.

Cuide de si e seu aprendizado no que diz respeito, se você encará-la com uma atitude meio coração você logo se des-iludida e desmotivados. Isto conduzirá inevitavelmente ao fracasso e de aprendizagem que não tem valor para você. Mostrando o respeito para a sua aprendizagem irá demonstrar a si e aos outros que você é sério sobre o assunto, o que irá ajudar a manter seus níveis de energia e manter a motivação em alta.
Finalmente, obrigado por ler este post. Por favor, deixe-me saber o que pensa sobree compartilhar suas experiências.

A IMPORTÂNCIA DE SABER ESCUTAR

Há algum tempo atrás, durante a aplicação de um treinamento corporativo do qual eu participei com o Paulo Campos (@pvcampos10), tomei conhecimento da ESCUTATÓRIA – um texto maravilhoso escrito pelo mestre Rubens Alves. Naquele texto ele manifestava a sua indignação com a absoluta falta de um curso de escutatória, enquanto tantos cursos de oratória era oferecidos. Aquilo ficou na minha cebeça martelando e eu passei a socializar esta angústia com as pessoas nos cursos de fotografia da Riguardare e nas palestras que ministro.

Mas hoje, às 22:00 horas, estando ainda internado no quarto 1419 do São Luiz, recebi a visita do meu médico, que acabara uma cirurgia e resolveu passar para ver o meu estado e jogar conversa fora. Começamos a conversar, óbvio, sobre a minha massa encefálica, a conversa evoluiu para as funções específicas das partes do cérebro e fiquei sabendo que, se algo desse errado na minha cirurgia, a uma coisa que sobraria sem seqüelas seria a minha capacidade de ouvir.

Não pude deixar de lembrar do texto “ESCUTATÓRIA” e esse foi o ponto de partida para uma conversa de quase duas horas sobre o ato de escutar, onde muitas notas foram tomadas, que se transformaram neste “post” que agora divido com vocês. Esperam que vocês tenham uma boa leitura e deixem seus comentários ao final.

Basicamente, conversamos sobre formas de “educar o cérebro” para escutar mais e melhor, deixando de apenas ouvir. Aliás, a idéia é deixarmos de sermos apenas “ouvintes” para nos transformarmos em “ESCUTADORES”.

Lá vão as dicas:

1. EXERCITE O SILÊNCIO: Espere pelo menos 3 segundos antes de responder ao seu interlocutor. Isso não apenas motiva a outra pessoa a dizer mais, como dá a você tempo suficiente para lincar idéias e responder e mostra que você estava escutando e não pensando de forma adiantada naquilo que iria dizer.

2. NÃO INTERROMPA SEU INTERLOCUTOR: É chato. Mesmo que você saiba exatamente o que a outra pessoa vai dizer, você vai aprender mais escutando do que mostrando o quão inteligente você é. Você não só você demonstrará interesse legítimo, como permitirá que a outra pessoa diga coisas que você precisa saber.

3. OUÇA SEM PRÉ-CONCEITOS: Pare de julgar outras pessoas antes de ouvir o que elas têm a dizer. Quando você ouve com os filtros do pré-conceito, está automaticamente invalidando a outra pessoa com base no que você percebe.

4. DEIXE SEU INTERLOCUTOR SENTIR-SE OUVIDO: Há uma grande diferença entre o “sentir-se ouvido” e o “sentir-se escutado”. Nós raramente nos preocupanos em dar às pessoas a segurança de que elas estão sendo escutadas por nós.Isso faz toda a diferença e influi de forma razoável naquilo que nos será narrado.

5. ESCUTE COM FOCO EM SOLUÇÕES: Busque comprender aquilo que você escuta sob a perspectiva de soluções que estão sendo criadas. Evite interpretar as palavras escutadas como geradoras de tensões ou problemas – a pré-disposição em acreditar que o diálogo gerará problemas ou atritos fecha os canais cerebrais de raciocínio e buscam dispersar a sua atenção.

6. ESCUTE AS MENSAGENS SUBLIMINARES: Muitas vezes a verdadeira mensagem a ser transmitida pelo interlocutor está nas entrelinhas. E escutar consiste, também, em compreender aquilo que muitas vezes está oculto atrás de um tom de voz, de uma pausa, de uma respiração.

7. “SAIA DA DEFENSIVA“: Nós, como seres humanos, temos uma tendência natural de resistir às novas informações, principalmente àquelas que entram em conflito com nossas crenças. Concentre-se naquilo que está sendo dito, preservando o sentido dado pelo interlocutor, sem tentar adaptar aquilo que foi escutado às suas crenças e valores.

Agora que você já leu estas dicas, tente colocá-las em prática e lembre-se de uma coisa: Tudo o que as pessoas querem é ser escutadas e reconhecidas.

ALGUNS HÁBITOS QUE MATAM A CRIATIVIDADE

“The brain is a wonderful organ. It starts the moment you get up and doesn’t stop until you get into the office.” — Robert Frost

Ontem de noite, pelo SKYPE, tive uma conversa interessante com um amigo fotógrafo sediado em Vancouver e que há mais de 10 anos foi meu colega de curso no “New York Institute of Photography”. Nós não nos falávamos há pelo menos 5 anos e aproveitamos para relembrar algumas coisas que aprendemos naquela semana de curso em Nova Iorque. O fruto desta conversa vocês pode ler abaixo:

Não é verdade que apenas as pessoas inteligentes sejam, também, criativas. Pesquisas científicas mostram que, a partir do QI 120, inteligência e criatividade deixam de andar juntas.Isso quer dizer que, mesmo que você não seja muito esperto, ainda tem potencial para ser uma pessoa criativa.

O problema é que muitas pessoas sabotam os caminhos criativos de seus cérebros criando – ou aceitando que lhe imponham – hábitos pouco favoráveis à critividade. E neste post eu vou tentar analisar alguns deste hábitos:

1) CRIAR E AVALIAR AO MESMO O TEMPO: É um grande erro tentar usar dois tipos de pensamentos ao mesmo tempo, pois você acaba criando freios que não te permitem evoluir em nenhum pensamento. Tecnicamente, CRIAR significa gerar novas idéias, visualizando, olhando para frente, considerando as possibilidades sem pré-conceitos enquanto AVALIAR significa analisar e julgar, escolher idéias e classificá-las como boas ou ruins, úteis ou inúteis. É muito mais criativa aquela pessoa que primeiro deixa o cérebro criar as idéias e formatá-las, para só depois começar a avaliação.

2) A SÍNDROME DOS PERITOS: Algumas das idéias mais bem sucedidas do mundo partiram de alguém que não acreditou quando os “gurus” afirmaram que aquilo seria impossível. E isso acontece porque sempre há algo a que os “gurus” não têm acesso nas novas idéias. É sábio ouvirmos aquilo que os peritos em determinada área ensinam, mas é imprudente deixar de questionar os limites de tais ensinamentos. Jamais abandone suas idéias apenas porque um perito lhe disse que as mesmas não irão funcionar. Acredite mais em você do que nos peritos.

3) O MEDO DO FRACASSO: As pessoas criativas sempre afirmam que, para aumentar o seu índice de acertos, você precisa cometer mais erros. Ou seja, quanto mais você se arriscar, com mais frequência você atingirá o sucesso – a questão é você ter a segurança de que os seus acertos geniais compensarão com folga os erros idiotas cometidos pelo caminho. E mais um detalhe: Em termos de criatividade sucesso e fracasso são resultados que dependem apenas das metas que você estabeleceu. Por isso cuidado para não se sabotar estabelecendo metas inatingíveis. Aquilo que você adjetiva como fracasso, pode ser um tremendo sucesso sob o ponto de vista de outra pessoa.

4) MEDO DO CAOS: Pode parecer estranho, mas uma quantidade razoável de coisas funciona contrariando todas as regras e expectativas. Na medicina, por exemplo, os médicos têm uma frase célebre que diz o seguinte: “A clínica é soberana”. Isso quer dizer que é bastante comum um paciente com exames que dizem estar ele quase morto, receber alta médica e seguir a vida de forma natural. Muitas vezes as pessoas abortam idéias interessantes simplesmente porque acham que elas não funcionariam por lhes faltar coerência e organização. Há, no mundo, coisas que nós nunca entenderemos e problemas que jamais serão resolvidos. Aceitar isso, liberta nossa capacidade criativa.

5) FALTA DE AUTOCONFIANÇA: Um certo nível de incerteza acompanha cada ato criativo – e uma dose de auto-dúvida é saudável até por questões de sobrevivência. Mas nós devemos sempre ter confiança em nossas habilidades (que já possuímos ou que oremos adquirir “on demand”) para criar e executar as soluções para os problemas propostos. Quando você aceita e enetende que as idéias criativas, num primeiros momento, parecem malucas e que o fracasso não é o fim do mundo, mas apenas uma experiência de aprendizagem, você está no seu caminho para se tornar mais confiante e mais criativo, pois nada é impossível. Em vez de dividir o mundo entre o possível e o impossível, tente dividi-lo em o que você tentou e aquilo que você ainda não tentou. Há um milhão de caminhos para o sucesso.

6) O DESÂNIMO DAS OUTRAS PESSOAS: Mesmo que você tenha uma mente bem aberta e a capacidade de ver o que é possível e executar, a maioria das pessoas em torno de você não vai ter a mesma capacidade. Eles vão te dizer de várias maneiras, muitas vezes sutis, para você se conformar, ser sensato, e não balançar o barco. Por favor, ignore solenemente estas pessoas. O caminho para cada vitória é pavimentado com as previsões de fracasso. E quando você tiver uma grande vitória em seu currículo, todos os seus opositores fecharão a boca e passarão a vê-lo por aquilo que você é – uma força criativa.

7) O EXCESSO DE INFORMAÇÕES: Os especialistas chamam de “paralisia da análise” aquela condição de passar tanto tempo pensando em um problema e enchendo o cérebro com tanta informação que você perde a capacidade de agir. Há quem diga que a informação é para o cérebro o que é alimento para o corpo. É verdade. Mas, assim como você pode comer demais, você também pode pensar demais. As pessoas mais bem sucedidas que eu conheço sabem quando é hora de parar de colher informações e começar a ação. Muitas vezes, executar um bom plano hoje é melhor do que esperar por um plano melhor amanhã.

8) A PRISÃO DOS FALSOS LIMITES: Crie um problema e pergunte a solução para um escritor. Certamente ele lhe dará uma solução que passará por palavras e textos. Pergunte para um designer e a solução passará a envolver recursos visuais. Pergunte a um blogueiro e certamente a solução passará pela criação de blog. Nós todos somos um produto da nossa experiência. Mas as limitações que temos são auto-impostas. Eles são falsos limites. Esteja aberto a qualquer coisa. Saia de sua zona de conforto. Pense em como aquelas pessoas em áreas não relacionadas fazem o que fazem. O que parece impossível hoje pode parecer surpreendente factível amanhã.

Se você percebe a presença de algumas destas barreiras em si mesmo, não se preocupe. Na verdade, alegre-se! Saber o que está prendendo você é o primeiro passo para quebrar as barreiras da criatividade.

COMODO

FELICIDADE É UM HÁBITO, CULTIVE-A

Caros leitores,

Poucas coisas são tão desejadas pelo ser humano quanto a FELICIDADE. Não tenho notícias de pessoas que gostem e que busquem deliberadamente a tristeza e a depressão.

Nesta minha estada no hospital – e hoje (11/10) completei 21 dias internado – conheci um monte de pessoas. Passei pelo pronto socorro, pela UTI algumas vezes, duas vezes pela sala de cirurgia (meio groge em ambas as vezes), em três quartos diferentes e conheci praticamente todas as equipes de enfermeiras. Conversei bastante com todo mundo e prometi para estas pessoas que destas conversas surgiria um post no Blog da Riguardare. E é por isso que escrevo.

Juntei tudo – ou quase tudo – que foi conversado, misturei com a fotografia e decidi escrever algumas “dicas” para buscar a felicidade. Ou como tornar-se um “fotógrafo mais feliz”.

Uma primeira observação é que as pessoas felizes também ficam amoadas, tristes e deprimidas. A questão é que elas não deixam que estes sentimentos lhes tome a alma. A alma, a essência, segue feliz apesar das provações – e provocações – da vida. Vamos às reflexões:

1) APRECIE A VIDA: Seja grato por acordar todas as manhãs e reaprenda a cultivar um senso de admiração infantil pela vida. Aproveite ao máximo cada dia, fazendo aquilo que você gosta e, de preferência, de acordo com os seus métodos. Não considere nada como sendo absoluto. Tudo é mutável ou, no mínimo, reinterpretável.

2) ESCOLHA SEUS AMIGOS DE MANEIRA SÁBIA: Busque cercar-se de pessoas que compartilhem dos seus valores e objetivos. Amigos que tenham a mesma ética que você irão encorajá-lo a lutar pelos seus sonhos e a se sentir bem consigo mesmo.

3) SEJA ATENCIOSO: Saiba olhar para as pessoas compreendendo o que elas têm de melhor. Respeite as pessoas por aquilo que elas são. Ofereça ajuda desinteressada e contente-se com um sorriso. Tente iluminar o dia das pessoas com as quais você entrar em contato.

4) APRENDA CONTINUAMENTE: Isso vale para aquilo que representa a sua fonte de renda e, também e principalmente, para aquilo que desperta seu interesse não profissional: dance, esquie, pule de para-quedas, nade, corra. Desenvolva novas habilidades e obrigue seu cérebro a pedir mais.

5) RESOLUÇÃO CRIATIVA DE PROBLEMAS: Sempre que encontrar um desafio, encare-o. E não deixe que as dificuldades na solução afetem seu bom-humor. Tenha os obstáculos como oportunidades para a busca por novos caminhos. Confie nos seus instintos. Quase sempre isso dá certo.

6) FAÇA O QUE VOCÊ AMA: Isso, eu ouvi da boca de uma enfermeira dentro da UTI: “Apenas o amor pela minha profissão dá sentido às noites que passo aqui”. Nós gastamos uma parte enorme da nossa vida trabalhando e isso é tempo demais para fazermos algo que não amamos. Nenhum dinheiro vale uma vida contrariada, exercendo uma profissão que não nos dê prazer.

7) APROVEITE A VIDA: Essa surgiu de um papo com o Sérgio, o incansável enfermeiro da UTI que, quando não estava ressuscitando o senhorzinho do meu lado esquerdo, parava para falar da vida comigo: Passado é passado, futuro é futuro. A hora que precisa ser desfrutada é esta que está sendo vivida. Precisamos de tempo HOJE, para cheirar flores, caminhar à beira-mar, meditar. Aproveitemos o momento atual para observar a beleza que existe no nosso entorno – mesmo que estejamos numa sala de UTI.

8) RIA: Não se leve a sério demais. O humor está em todas as partes e seu cérebro precisa se acostumar a olhar o lado mais descontraído e cômico da sua existência. Mas cuidado, pois rir demais é desespero.

9) PERDOE: Quem mais se machuca com o rancor é quem o nutre. Perdoar os outros é algo que ajuda mais a nós do que aos outros, pois é a nossa paz de espírito que está em jogo. Saiba, sobretudo, perdoar a você mesmo.

10) SEJA GRATO: Não perca tempo e diga logo para seus amigos, familiares e para todo mundo o quanto você lhes é grato pelo carinho que deles recebe. Seja grato por ter um lar, seja grato por ter um trabalho. O exercício da gratidão o torna mais próximos das pessoas que realmente importam na sua vida.

11) MANTENHA A SUA PALAVRA: Honestidade é a melhor política. Cada ação e decisão que você fizer deve ser baseada na honestidade. Seja honesto consigo mesmo e com seus entes queridos, custe o que custar.

12) MEDITE: Isso me foi ensinado pelo Dr. Elder, o cara que salvou minha vida. A meditação dá ao nosso cérebro, normalmente hiperativo, momentos de importante descanso. Quando nosso cérebro está descansado, temos mais energia e funcionamos num nível superior.

13) SEJA OTIMISTA: Tudo acontece por alguma razão – mesmo que jamais venhamos a descobrir esta razão. Cabe a nós, pelo menos, olhar para cada situação e buscar coisas positivas para elevar o nosso espírito. É a história de olhar sempre o copo como estando meio cheio. Não é tão difícil substituir pensamentos negativos por positivos.

14) SEJA PERSISTENTE: Nunca desista. Você nunca irá falhar, a menos que desista. Concentre-se naquilo que você quer e busque as habilidades necessárias para a sua conquista. Nós sempre estamos mais felizes naquele caminho que nos conduz para algo que desejamos.

15) SEJA PROATIVO: Essa eu ouvi do infectologista que diagnosticou a minha meningite: “Aceite de forma honrosa aquilo que não pode ser mudado. As pessoas felizes não desperdiçam energia com algo que esteja fora do seu controle”. Aceite as suas limitações como ser-humano. Prefira agir a reagir – agindo você constrói o seu caminho, reagindo você trabalha nos caminhos que outras pessoas começaram.

16) TENHA AUTOCUIDADO: Cuide de seu corpo, de sua mente e de sua saúde. Ouço isso umas 10 vezes por dia, de toda a equipe médica que cuida de mim. Exercite a sua mente, desafiando-a com novos problemas e novas emoções.

17) TENHA AUTOCONFIANÇA: Não tente ser alguém que você não é. Saiba identificar os seus gostos e desgostos e passe a despeitá-los. Prefira ser um original inacabado e imprefeito de si mesmo, a ser uma cópia acabada e perfeita de outra pessoa.

18) ASSUMA A RESPONSABILIDADE: As pessoas felizes sabem e entendem que são 100% responsáveis por suas vidas. Elas assumem a responsabilidade por seu humor, atitude, pensamentos, sentimentos, ações e palavras. Elas são as primeiras a admitir quando cometem um engano.

19) AME DE FORMA INCONDICIONAL: Aceite as outras pessoas da forma como elas são e pare de colocar limites ao seu amor. Não deixe amar as pessoas apenas por não conseguir controlar ou compreender as ações das pessoas queridas.

20) INVISTA EM RELACIONAMENTOS: Olhe sempre à sua volta e defina em quais relacionamentos você deve investir. Estas escolhas definirão de forma importante a quatidade de sentimento que você terá lhe dando apoio durante o resto da sua vida. Não negligencie estes relacionamentos e dê, para cada um deles, o tanto de Amor que cada um exigir, este Amor voltará sempre.

Acima de tudo: seja verdadeiro consigo mesmo.

COMODO

BEN GURR (TIME) DA 10 DICAS PARA A FORMAR NOVOS FOTOJORNALISTAS.

Fonte: http://ht.ly/2i8sK

1: Os fotógrafos têm que estar totalmente familiarizados com seu equipamento. Você não precisa – e muitas vezes nem tem tempo – pensar sobre o lado técnico das coisas. Tire muitas fotos de forma consciente e seu pensamento em breve será dedicado à imagem de forma inconsciente.

2: Estude o tema de sua pauta com curiosidade infantil e não se esqueça do fundo.

3: Use a luz que existe naturalmente e grave a cena como você e vê.

4: Tente não influenciar ou “maquiar” seus assuntos. Deixe que eles se comportem como se você não estivesse lá. A fotografia será mais verdadeira.

5: A câmera é uma ferramenta simples: não se empolgue com gadgets.

6: Avanços na tecnologia da câmera toenam os erros mais raros, mas se você cometer um, aprenda com ele.

7: O uso de software de computador para melhorar as imagens está superestimado e vem sendo usado em demasia. Confie mais em você do que na pós-produção.

8: As legendas existem para reforçar a mensagem das fotos e devem ser 100% precisas. Sempre verifique a grafia dos nomes. E tome muito cuidado para a foto que você produziu não DEPENDER de legendas. O bom fotojornalismo é auto-explicativo.

9: Converse com as pessoas: elas estão cheias de informações e histórias úteis.

10: As fotos premiadas serão inúteis se não forem vistos pela editoria de fotografia antes do prazo. Entenda como transmitir suas imagens em todas as situações.

E só por garantia: verifique se as suas baterias estão carregadas, mantenha algumas moedas na mão para parquímetros, tenha sempre bastante combustível em seu carro e esteja pronto para qualquer coisa!

OS MOTIVOS MAIS FURADOS PARA FOTOGRAFAR “DE GRÁTIS”

Caros leitores,

Esta pausa hospitalar está sendo um bocado interessante. Estou tendo tempo para rever antigas anotações, pensar sobre elas, escrever artigos, material de aula, novas palestras, rever amigos e trocar idéias sobre coisas que há algum tempo me provocavam.

Inaugurando uma nova era deste Blog, mais ácida e cultural, vou escrever sobre as desculpas mais esfarrapadas que já ouvi da boca de fotógrafos que se julgam profissionais e insistem em fotografar de graça. Lá vai a minha resposta:

1) O FOTÓGRAFO DIZ: “Todos os trabalhos de fotografia que eu faço são por indicação “boca-a-boca” de um cliente para o qual fotogafei de graça. E EU DIGO: Parabéns, você acaba de se tornar conhecido como o “profissional” que não espera ser remunerado de forma honesta pelo seu trabalho. Sempre que alguém precisar de um fótógrafo baratinho ou trouxa, vai ter alguém por perto para lhe indicar dizendo: “Eu conheço um cara que faz de graça”. Com um pouco de sorte estes clientes vão ao menos pagar o almoço durante o job!

2)O FOTÓGRAFO DIZ: “Sou apenas um jovem fotógrafo amador que está terminando a faculdade, não tenho despesas pois moro com meu pais, mas quero montar um portifólio do qual eu possa me orgulhar e que vai me ajudar a virar profissional. O dinheiro é algo com o que me preocuparei mais tarde”.E EU DIGO: Mais um filhinho de papai abastado (ou abestado, Tiririca) que não precisa de dinheiro, achando que os seus atos no presente não refletirão no seu futuro. Suponho que você, um dia, terá coisas como aluguel, alimentos, transporte, equipamentos, e outras coisas para se preocupar – ou você pretende viver à sombra dos seus pais para sempre e se gabar de poder fotografar profissionalmente e de graça? Saiba que o mercado não aceita desaforo, já dizia o Ministro da Economia.

3) O FOTÓGRAFO DIZ: “Hoje é diferente e só de faço fotos de graça porque a fotografia é digital. Há 10 anos existia o custo de processamento do filme, que nos obrigava a cobrar pelo menos o custo com material. Hoje, a fotografia pode ser de graça, afinal os pixels são de graça e o com o meu tempo livre eu faço o que bem entendo”. E EU DIGO: Pixels não são “de graça”. Uma câmera tem vida útil limitada a algumas centenas de milhares de cliques. Armazenamento de fotos tem um custo, softwares originais têm um custo, horas de pós produção têm um custo (tempo é dinheiro, lembra?), a mídia para gravar as fotos e entregar para os clientes têm custo.

4) O FOTÓGRAFO DIZ: “Depois que parei de me preocupar com cobrar pelas fotos que faço, passei a receber pedidos fotos por todos os lados. Não estou preocupado com dinheiro, quero que as minhas fotos beneficiem o mundo”. E EU DIGO: É óbvio que você passou a receber pedidos de fotos por todos os lados. Funciona mais ou menos como a dançarina (puta, em outras palavras) que sobe no balcão do bar com mini-saia, sem calcinha, olha para os clientes e diz “se você viu algo de que gostou, daqui a pouco estarei lá atrás entregando o que você pedir e de graça. Você se surpreenderia se a maior fila do mundo se formasse? Então, você quer “ajudar outras pessoas.” Que tal ajudar aqueles que ganham a vida produzindo fotografias, deixando de subcota-los? Essa é a melhor maneira de garantir que grandes fotografias continuem beneficiando o mundo.

5) O FOTÓGRAFO DIZ: “Eu apenas fotografo de graça para atores e modelos iniciantes, para treinar minhas técnicas de iluminação e para ajudar estas pessoas a ingrasserem no mercado de trabalho. E EU DIGO: Enquanto você pode pensa que está evoluindo com suas técnicas de iluminação, isso em nada ajuda no crescimento daquilo é mais importante – a confiança de saber que seu trabalho tem valor.

6) O FOTÓGRAFO DIZ:”Eu me ofereci para fazer um trabalho fotográfico para uma importante editora e agora minhas fotos estão publicadas numa importante revista, com o meu nome no cédito, aumentando a visibilidade do meu talento”. E EU DIGO: Está na hora de lapidar este ego. Antes de mais nada, citando o amigo Cláudio Fett, “Crédito não é moeda, é um direito! Respeite o fotógrafo”. Depois o máximo que você gonsegue é matar a oportunidade de trabalho editorial para outros fotógrafos com egos mais controlados. E saiba que a editora pode, sim pagar – embora pague piuco por este tipo de trabalho. E as editoras adoram um idiota disposto a fazer só pelo nome crédito. Ah! Já ia esquecendo… Sabe que lê crédito? Outros fotógrafos, que são as únicas pessoas que ainda se interessam por quem faz boas fotos.

PRONTO…
FALEI!

SEJA UM IDIOTA

SEJA UM IDIOTA
- Arnaldo Jabor

A idiotice é vital para a felicidade.
Gente chata essa que quer ser séria profunda e visceral sempre.
Putz! A vida já é um caos, por que fazermos dela, ainda por cima, um tratado?
Deixe a seriedade para as horas em que ela é inevitável: mortes, separações, dores e afins.
No dia-a-dia, pelo amor de Deus, seja idiota!
Ria dos próprios defeitos. E de quem acha defeitos em você.
Ignore o que o boçal do seu chefe disse.
Pense assim: quem tem que carregar aquela cara feia, todos os dias, inseparavelmente, é ele. Pobre dele.
Milhares de casamentos acabaram-se não pela falta de amor, dinheiro, sexo, sincronia, mas pela ausência de idiotice.
Trate seu amor como seu melhor amigo, e pronto.
Quem disse que é bom dividirmos a vida com alguém que tem conselho pra tudo,soluções sensatas, mas não consegue rir quando tropeça?
hahahahahahahahaha!…
Alguém que sabe resolver uma crise familiar, mas não tem a menor idéia de como preencher as horas livres de um fim de semana?
Quanto tempo faz que você não vai ao cinema?
É bem comum gente que fica perdida quando se acabam os problemas.
E daí, o que elas farão se já não têm por que se desesperar?
Desaprenderam a brincar. Eu não quero alguém assim comigo. Você quer?
Espero que não.
Tudo que é mais difícil é mais gostoso, mas… a realidade já é dura; piora se for densa.
Dura, densa, e bem ruim.
Brincar é legal. Entendeu?
Esqueça o que te falaram sobre ser adulto, tudo aquilo de não brincar com comida, não falar besteira, não ser imaturo, não chorar, não andar descalço, não tomar chuva. Pule corda!
Adultos podem (e devem) contar piadas, passear no parque, rir alto e lamber a tampa do iogurte.
Ser adulto não é perder os prazeres da vida – e esse é o único “não” realmente aceitável.
Teste a teoria. Uma semaninha, para começar.
Veja e sinta as coisas como se elas fossem o que realmente são: passageiras.
Acorde de manhã e decida entre duas coisas: ficar de mau humor e transmitir isso adiante ou sorrir…
Bom mesmo é ter problema na cabeça, sorriso na boca e paz no coração!
Aliás, entregue os problemas nas mãos de Deus e que tal um cafezinho gostoso agora?
“A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios”.
“Por isso cante, chore, dance e viva intensamente antes que a cortina se feche”.

A ORIGEM DOS NOMES DAS CORES

Pessoal,
Um pouquinho de cultura geral nunca é demais! E como a fotografia lida com cores e tons, saber a origem dos nomes é, no mínimo, interessante!

AMARELO
Na Antiguidade, pensava-se que a icterícia, uma doença que deixa as crianças amareladas, vinha da bílis, secreção produzida pelo fígado que era chamada “humor amargo”. No latim, amargo era amargus, que no diminutivo virava amarellus, que acabou virando amarelo

LARANJA
Quando os árabes resolveram fazer uma “visitinha” à Europa, trouxeram na bagagem a fruta laranja – nárandja, em árabe. De lambuja, acabaram batizando a cor

CARTA BRANCA
Em geral, dizemos que algo bem liso e brilhante é “branquinho”. Os latinos também achavam isso e pegaram o germânico blank, que significa polido, para falar da cor. Aliás, o termo “armas brancas”, usado para facas e punhais, vem daí: branco de polido, reluzente

PRETO
O nome da cor preta vem do latim appectoráre, que queria dizer “comprimir contra o peito”. Como assim? É que, com o tempo, o appectorár virou apretar. E, por uma analogia muuito criativa, deu no preto, querendo dizer algo denso, espesso, “apertado”

AZUL
Foi uma pedra preciosa chamada lápis-lazúli que batizou a cor azul. Lápis não conta, porque já queria dizer pedra em latim, mas o lazúli veio do árabe lázúrd, nome da rocha azulada. Em latim, o que era pedra continuou pedra, e a cor ficou simplesmente azul

MARROM
A castanha portuguesa, aquela do Natal, chama-se marron, em francês. E foi da cor desse fruto que veio o nosso marrom. Aliás, o marrom-glacê é isso: um doce escuro feito de castanha portuguesa

CINZA
O cinza nasceu daquela massa de pó misturado com brasas que sobra no fim das fogueiras. Por associação, a palavra latina cinisia, que queria dizer cinzas, transformou-se também no nome do tom preto-claro

VERMELHO
Antigamente, como ninguém conhecia urucum nem pau-brasil na Europa, o único jeito de fazer tinta vermelha era usar um inseto – hoje chamado de cochonilha – que, esmagado, virava um vermelhão. O nome dessa cor vem do latim vermiculum, vermezinho

VERDE
Aqui chegamos a uma das poucas cores que já nasceu cor. O verbo latino vivere significava estar verde, verdejar. Dele é que nasceu a associação do verde com algo que está nascendo, que ainda não está pronto

CONSULTORIA – Mário Viaro, filólogo da Universidade de São Paulo (USP)

QUEM JÁ VIU ALÉM DAS APARÊNCIAS, NÃO PRECISA FALAR NADA…

Pessoal,
Fotografar aquilo que é visível é fácil demais…
É o que ensinam os manuais de fotografia e a quase totalidade dos cursos disponíveis.
Fotografar o mundo à nossa volta também é o que ensinam os professores que andam por aí.
Mas há um grupo seleto de professores e escolas – no qual desejamos estar incluídos – que ensinam a busca pela essência da fotografia, algo muito mais complexo do que a simples captação de uma imagem da pessoa ou da cena da forma como elas se mostram.
Estamos falando da capacidade de captar imagens que mostrem, também, a beleza e a energia oculta em cada cena, em cada modelo, em cada objeto. Trata-se de uma beleza e de uma energia que somente se revela àqueles dispostos a fazer um “pacto” com a fotografia. E este pacto exige dedicação, respeito, persistência e muita, mas muita entrega por parte do fotógrafo.
E fotografar o oculto não deve ser o objetivo fim… Mas sim o meio!
Tudo o que vivemos enquanto buscamos desenvolver esta capacidade de fotografar o oculto é o que, no fim, fará a diferença.
E acreditem: quem desenvolve a capacidade de enxergar o oculto não precisa sair por aí alardeando isso. O mundo, ao olhar para você, perceberá o poder da sua fotografia e da sua percepção.

Reflitam.

Para ilustrar esta tese, apresento uma fábula européia:

UMA JORNADA SOLITÁRIA

Conta uma antiga lenda que em certo reino, há muito, muito tempo, quando um jovem completava 13 anos era preciso fazer uma solitária jornada , depois da qual , se alcançasse sucesso era admitido entre os guerreiros de seu povo. A jornada era realizada apenas em determinada época do ano, escolhida pelo mago da tribo.Trinta dias antes da partida, os jovens candidatos ficavam reclusos em uma cabana coletiva. Lá preparavam-se para a jornada que empreenderiam.

No dia marcado, o mago reunia os jovens postulantes , entregava-lhes uma pequena faca e revelava-lhes a prova: deveriam atravessar o continente , pois o reino ficava no coração da Europa; cada um por si, deveria encontrar o mar e retornar em segurança. Era uma jornada dificílima.O jovem precisava enfrentar o frio, a fome, as feras famintas, a solidão e seu próprio temor. Poucos conseguiam.Muitos voltavam do meio do caminho. Outros chegavam bem perto, vislumbravam o mar ao longe e voltavam daí.

Ao retornarem à sua aldeia, os jovens , um a um , eram recebidos pelo mago.Este, contemplava-os em silêncio e , passado certo tempo, dizia se o jovem tinha ou não cumprido sua jornada. Os que a haviam concluído eram , então, admitidos na tenda dos guerreiros. Eram acolhidos como irmãos, iguais. Os demais precisavam esperar por todo um ano para fazer mais uma vez a jornada.

Certa ocasião, um ancião que havia tempos observava o mago perguntou:- me explique uma coisa. Por que muitos jovens retornam dando detalhadas informações sobre o mar e você após fitá-los por uns instantes diz:- Você não viu o mar.Poderá voltar no próximo ano.

Outros , entretanto, nada precisam dizer.Você os olha , abraça-os e os manda para a tenda dos guerreiros onde seus irmãos os aguardam.

Por que?

O mago, sorrindo mansa e serenamente respondeu:

- Os que viram de fato o mar , não precisam falar dele.Têm o mar no olhar.

MINHA FOTO FOI PREMIADA – SOCORRO!!!

Os fatos narrados a seguir são absolutamente verdadeiros e refletem a triste realidade dos concursos de fotografia (salvo honrosas exceções) no Brasil.
Em meados de novembro de 2008 recebi por E-mail a notícia de um concurso de fotografia promovido pela ABRALATAS (http://www.abralatas.org.br). Tendo em vista que “reciclar” está na moda e faz bem ao planeta, passeia notícia para minha rede de contatos e até incentivei amigos e alunos a produzirem material para o concurso.
Semanas depois, parei para ler o regulamento…
Quase chorei ao perceber que se tratava de mais um daqueles “concursos” que buscam fazer um banco de imagens a preço de banana, pois exige a cessão total e exclusiva dos direitos patrimoniais sobre a obra – não apenas dos 3 vencedores, ou dos 10 primeiros que receberiam prêmios em dinheiro, mas de todos os 30 classificados.
Quando, no início de 2009 soube que o prazo para inscrição havia sido prorrogado, concluí que o tal concurso havia micado ou que fizera tanto sucesso que os organizadores decidiram aumentar o tamanho do banco de imagens programado inicialmente.
Decidido a testar os limites da falta de critérios do tal concurso, vasculhei minhas gavetas atrás de alguma imagem que fosse imprestável e que não me incomodasse ceder os direitos da mesma em troca de algumas moedas ou de um “fabuloso” kit de produtos Abralatas.
Assim, encontrei a foto que vocês podem ver neste artigo.
Cheguei a rir de mim mesmo… E ri também ao imaginar a cara dos jurados quando se deparassem com aquela droga de fotografia.
Mandei… E confesso que me esqueci do fato, pois nem em sonho imaginava que a tal foto tivesse alguma chance.
Adivinhem o que aconteceu…
Na semana passada sou surpreendido com um telefonema de Brasília… Era o pessoal da ABRALATAS dizendo que eu havia sido selecionado como autor de uma das melhores fotos do concurso. Pensei que fosse piada de algum dos amigos que ficaram sabendo da minha brincadeira.
Mas era sério.
Entrei no site e vi a minha foto exposta… Com um surpreendente 20o lugar!
Dois dias depois do telefonema recebi um SEDEX. Era o contrato de cessão de obra fotográfica. Precisei assinar o contrato, mandar de volta para eles e também o arquivo digital com a imagem ganhadora!
Ou seja… Um sinal claro de que eles realmente pretendem usar aquela fotografia que eu envie para ilustrar alguma coisa…
Comentei o fato com alguns amigos… Rimos muito.
Comentei o fato em sala de aula… Choramos muito.
Choramos, principalmente por que, em sala de aula, passamos a analisar cada uma das 30 fotografias premiadas sob os seus aspectos técnicos – levando em conta a linguagem, a composição, os cuidados com escolha e/ou controle da luz, iniciativa do fotógrafo, cuidados com a produção, criatividade, adequação ao tema, etc…
E chegamos – eu, pelo menos, cheguei – de que a minha foto (20o lugar) é muito pior do que as outras 10 que estavam pior classificadas. Por outro lado, fotos muito piores do que a minha (sim… teve quem enviasse coisa pior!) estavam mais bem classificadas.
Ou seja, não havia o menor sentido ou coerência na forma como as fotos foram escolhidas e classificadas…
Agora mesmo, enquanto escrevo este texto, conversei com um fotógrafo amigo que mora em Brasília – o Dorival Moreira – e que curiosamente foi outro que mandou uma fotografia “estranha” (para dizer o mínimo) e que foi premiado com o 9o lugar.
Rimos 10 minutos sem parar… Mas isso é outra história.
O pior é saber que um monte de pessoas que capturam imagens absolutamente sem sentido e sem o menos comprometimento, passa a se apresentar como “fotógrafa ganhadora de concurso”.
A minha opinião, fria, é que concursos promovidos desta forma são um verdadeiro desserviço à fotografia – seja ela vista como arte, seja como simples registro visual.
Mas é só a minha opinião – um tanto quixotesca…
Vamos ver a opinião de vocês.

COMODO

PIPOCAEGUARANA 1

SOBRE FOTÓGRAFOS E CAPTADORES DE IMAGENS…

Finalmente resolvi parar colocar no papel (ou na telinha…) aquela que é uma das mais polêmicas apresentações que faço em sala de aula. Vou tentar ser bem objetivo, deixando para os leitores a tarefa de esmiuçar todas as possibilidades deste tema. Vou tratar da diferença entre os FOTÓGRAFOS e os CAPTADORES DE IMAGENS.

Há muito tempo, estudiosos bem mais competente e completos do que eu, vêm buscando definir o que possa ser – exatamente – a fotografia e quem a exercita – os fotógrafos. Depois de muito refletir, construi o seguinte raciocício: fotografia é uma palavra formada por prefixo e sufixo que, juntos, significam “ESCRITA DA LUZ“. Apenas como curiosidade, passei antes pelos termos “CALIGRAFIA”(ou escrita bonita) e “GEOGRAFIA” (escrita da terra) e “CARTOGRAFIA”(escrita de mapas).

O passo seguinte depende de compreendermos o que é a tal “ESCRITA”. Acredita-se que a escrita tenha se originado a partir dos simples desenhos de ideogramas: por exemplo, o desenho de uma maçã a representaria, e um desenho de duas pernas poderia representar tanto o conceito de andar como de ficar em pé. A partir daí os símbolos tornaram-se mais abstratos, terminando por evoluir em símbolos sem aparente relação aos caracteres originais. Por exemplo, a letra M em português na verdade vem de um hieróglifo egípcio que retratava ondas na água e representava o mesmo som. A palavra egípcia para água contém uma única consonante: /m/. Aquela figura, portanto,veio representar não somente a idéia de água, mas também o som /m/.Um processo simbólico que possibilitou ao homem expandir a mensagem para muito além do tempo e do espaço de propagação dela, criando mensagens que se manteriam inalteradas por séculos e que poderiam ser proferidas a quilômetros de distância.

Em linhas gerais, a “ESCRITA” pressupõe a existência de SÍMBOLOS que são compreendidos por um grupo de pessoas e que podem ser – estes símbolos – combinados entre si para comunicar idéias. Existe uma diferença entre a “ESCRITA” e os rabiscos descompromissados que o meu sobrinho de 3 anos faz… Ainda que tais rabiscos possam ter algum significado, apenas o meu sobrinho vai entender… Não é possível compreender uma mensagem coerente a partir daqueles rabiscos. Por outro lado, se eu escrevo numa folha as letras que formam o meu nome (C O M O D O), meu sobrinho irá observá-las e conseguir reproduzí-las de uma forma mais ou menos competente.

Mas quando o pequeno Leo (esse é o nome do sobrinho) marca com a caneta as letras COMODO, na verdade ele não está escrevendo – não por não ter a coordenação motora necessária, mas sim por não ter a menor idéia de como as letras se organizam para formar palavras, depois frases, depois orações…

Somente quando compreendemos o conjunto de símbolos usados pelo “NOSSO GRUPO HUMANO” para se comunicar é que podemos nos considerar alfabetizados e, portanto, prontos para ESCREVER. Nesta linha, posso me considerar uma pessoa capaz de escrever em português… Mas não me considero alguém capaz de escrever em inglês tudo o que penso. Se eu viajar para a Rússia, então, serei rebaixado à categoria de analfabeto por não entender um único símbolo do cirílico. Então, penso eu, por que motivo este raciocínio não poderia ser transportado para a FOTOGRAFIA? Será que qualquer pessoa que compra uma câmera fotográfica – seja ela qual for – pode imediatamente se denominar fotógrafo? A minha resposta é um sonoro NÃO. Seria o mesmo que julgar escritor uma pessoa que anda por aí com dicionário embaixo do braço.

Na minha opinião, para alguém se apresentar como fotógrafo precisa, antes de mais nada, compreender a LINGUAGEM da luz. E esta linguagem vem numa caixa enorme, onde estão os princípios de fotometria, uso correto das possibilidades do diafragma e do obturador, compreensão da luz em todas as suas variáveis (qualidade, intensidade, direção), domínio da composição, enquadramento e de tudo aquilo que ao longo de séculos o ser humano consolidou como elementos de linguagem. Da mesma forma como ao COPIAR as letras que formam uma palavra me sobrinho não vira um escritor, alguém que simplesmente copie ajustes de diafragma e obturador ou que reproduza dolosamente uma imagem pré-existente e sem colocar no clique a sua criatividade, a sua motivação e os seus ‘”porquês” não tem o direito de se dizer fotógrafo.

Ser fotógrafo pressupõe a capacidade de tomar as decisões que levarão ao registro de uma imagem desejada – é como escolher as letras que irão formar uma bela poesia. Com o devido respeito, aqueles que usam câmeras automáticas – por não saberem como controlar o diafragma e obturador – não são fotógrafos. SÃO CAPTURADORES DE IMAGEM. E não há nada de errado nisso.

Há capturadores de imagens absolutamente competentes, que nos mostram imagens muito estéticas e criativas.

Há capturadores de imagens que ganham dinheiro comercializando suas imagens. E não há nada de errado com isso.

Mas eu sustento que é necessário SEPARARMOS os fotógrafos dos capturadores de imagens.

Não me parece justo usarmos o mesmo termo “FOTÓGRAFO” para nos referirmos tanto às pessoas (sejam elas amadoras ou profisisonais) que se dedicam a entender e dominar todos os aspectos do controle da luz, quanto às pessoas (amadoras ou profissionais) que não possuem conhecimentos suficientes para reproduzir algo que seus cérebros imaginam, que não conseguiriam reproduzir conscientemente um determinado resultado do qual tenham gostado ou que, pior, sequer imaginam a riqueza de possibilidade que existem quando usamos corretamente os recursos óticos (objetivas) e mecânicos/eletrônicos (diafragma, obturador, flashes) colocados à nossa disposição numa câmera fotográfica.

É importante deixar bem clara a minha opinião, reforçando que a diferença entre os FOTÓGRAFOS e os CAPTADORES DE IMAGENS não está no tipo de equipamento utilizado, nem na qualidade final dos trabalhos, nem no fato de ganharem ou não dinheiro com suas câmeras, muito menos na freqüência com que usam seus equipamentos.

A diferença esta na preocupação em COMPREENDER A LINGUAGEM, DOMINAR A TÉCNICA e GRAVAR CENAS QUE, ANTES DE SEREM CLICADAS, JÁ EXISTEM EM SUA IMAGINAÇÃO.

É isso.

Mas os críticos desta tese podem ficar tranqüilos. Pode parecer – e possivelmente seja – uma questão acadêmica ou de semântica…
O importante é que tanto os fotógrafos quanto os captadores de imagens devem seguir clicando e trazendo para o mundo todo o tipo de registros imagéticos que desejarem. Sem pré-conceitos, sem temores e com muita paixão.

COMODO