ALGUMAS REFLEXÕES SOBRE “CRIATIVIDADE” – PARTE 01

Caros Leitores,

Ontem tive uma reunião bastante cansativa com o pessoal de mkt de uma pequena confecção. O orçamento é ridiculamente apertado (os modelos, para vcs terem uma idéia, são amigos de escola dos filhos da dona!) e o pessoal do mkt faz questão ditar todas as regras para cada uma das fotos. Depois de mais de duas horas de conversa quase improdutiva, perguntei para eles porque haviam me chamado para participar da cotação. Para minha surpresa, disseram que haviam gostados das fotos que eu durante um desfile em uma Feira (Couromoda) no ano passado.

Entre surpreso e assustado – afinal fotos de feiras não têm nada a ver com catálogos de moda – resolvi dar uma cartada final e disse: Se vocês me chamaram porque gostaram daquelas fotos, então por que não me deixam fazer exatamente aquilo no catálogo de vocês – uma linguagem fotográfica bem ágil, solta e ousada?”

E, após mais 15 minutos de conversa, eles concordaram! Retiraram todas as barreiras e agora estão esperando o preço. E eu cheguei à conclusão de que aquele cliente não apenas não sabia exatamente o que estava buscando como, pior, estava sem coragem para assumir as mudanças que a sua alma estava pedindo.

Isso me fez lembrar algumas palavras que li numa antiga entrevista do Steve Jobs e me inspirou para escrever esta primeira reflexão sobre a importância da CRIATIVIDADE. Boa leitura a todos.

NEM SEMPRE OS CLIENTES SABEM EXATAMENTE DO QUE PRECISAM.

Quando um cliente te chama é porque, normalmente, tem algum tipo de problema. O mais comum é que ele esteja buscando alguma forma nova e milagrosa de mostrar algo para o mundo de forma irresistível. E aqui entra o “X” da questão: clientes devem ser ouvidos e respeitados, mas nunca devem ser levados tão a sério a ponto de neutralizarem a sua capacidade de percepção e criação.

Quando converso com meus clientes, eu ouço atentamente tudo o que eles falam – afinal eles – em tese – conhecem profundamente a própria marca, aquilo que fabricaram ou o evento que organizaram. E quando começo a fotografar, produzo primeiro aquelas imagens que o cliente espera ver baseado em tudo o que me pediu – e depois eu enlouqueço.

No segundo momento, busco agregar valor. Tento mostrar ao cliente coisas que ele não esperava – tento mostrar para o cliente os verdadeiros motivos pelos quais ele me contratou: sou EU que tenho uma percepção mais refinada, mais criativa, mais surpreendente acerca daquela cena.

Tento levar adiante a crença de que se eu fui bom o suficiente para ser selecionado para aquele trabalho, então eu também devo ser bom o suficiente para fazer prevalecer a minha interpretação – ainda que respeitando as características do cliente como ponto de partida.

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